Saiba mais sobre a reciclagem e sua importância no reaproveitamento dos resíduos, geração renda e redução de impactos socioambientais.
O Brasil é o 4° maior produtor de lixo do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos do Brasil realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), cada brasileiro produziu em média 1,043 kg de lixo por dia em 2022, 381 kg no ano. No total foram geradas aproximadamente 82 milhões de toneladas nas residências.
Quando falamos sobre a destinação de resíduos, o assunto fica ainda mais preocupante. Em média, cerca de 94,5% dos resíduos municipais no Brasil são ainda destinados aos lixões, aterros ou incinerados. Aproximadamente apenas 4,5% dos resíduos são destinados a reciclagem, e 1% a processos de compostagem.
Vivemos em uma economia de crescimento de países em desenvolvimento, como o Brasil, e seus respectivos aumentos de produção. Vivemos em uma economia linear baseada na extração de recursos naturais, produção de produtos de bens e consumo, e descarte dos resíduos na natureza, o tão conhecido processo linear “extrair-produzir-descartar”.
Projeções do Banco Mundial (2018), por exemplo, mostram que até 2050, o crescimento econômico de países em desenvolvimento triplicará o volume de resíduos nesses locais. Também como exemplo, segundo o estudo “Cidades e Economia Circular dos Alimentos”, da Fundação Ellen MacArthur, para cada dólar gasto em alimentos, pagamos dois dólares em custos ambientais, econômicos e de saúde. Metade desses custos (cerca de USD 5,7 trilhões por ano globalmente) são resultados diretos da natureza “linear” da produção moderna de alimentos, onde ocorre a extração de recursos finitos, o desperdício e poluição dos sistemas naturais, e que claramente levam a uma instabilidade e insegurança ao futuro da economia, da população e do meio ambiente.
Economia Circular

Diante da atual gravidade do cenário ambiental, a Economia Circular tem se consolidado como uma via possível para enfrentar os desafios do nosso século. A Economia Circular é um conceito que associa desenvolvimento econômico a um melhor uso de recursos naturais, baseado em três princípios principais, impulsionados pelo design: (1) eliminar resíduos e poluição; (2) circular produtos e materiais ao máximo; e (3) regenerar a natureza.
Trata-se de uma mudança sistêmica que nos desafia a abandonar a lógica linear de “extração-produção-descarte”, por meio de novos modelos de negócios e da otimização nos processos de fabricação com menor dependência de matéria-prima virgem, priorizando insumos mais duráveis, recicláveis e renováveis.
Na Economia Circular, a premissa é que produtos e materiais não sejam descartados, mas sim mantidos em circulação, otimizando o uso de recursos naturais empregados em sua fabricação e permitindo a regeneração dos sistemas naturais.
Durante o sétimo Fórum Mundial de Economia Circular 2023, realizado em maio deste ano na Finlândia, por exemplo, foi destacado a importância das soluções locais e de um maior envolvimento dos jovens na promoção da economia circular, como base para enfrentar as três crises planetárias, como as mudanças climáticas, a poluição e a perda de biodiversidade. Segundo Emma Sairanen, coordenadora de projetos sustentáveis da Sitra, um Fundo de Inovação Finlandês, “As crises planetárias triplas afetam todo o globo, e muitas vezes pensamos na economia circular como uma solução global. No entanto, hoje ouvimos repetidamente que as melhores soluções circulares geralmente são locais. Elas usam o conhecimento e os recursos locais, respeitando a cultura e a ecologia locais”.
Neste sentido, é urgente que as cidades liderem essas transições mobilizando a transformação sob uma nova abordagem de produção e consumo, onde são desenvolvidas ações sustentáveis de ponta a ponta da cadeia, envolvimento rígido de setores públicos, privados, marcas, produtores, varejistas, população, gestores de resíduos e outros atores urbanos, com desenvolvimento de sistemas que fazem sentido localmente, que são regenerativos, reaproveitados, que possuem longos ciclos de vida, menor gasto energético, hídrico e emissões de gases de efeito estufa.
Há benefícios claros de se alcançar um sistema circular, e a reciclagem tem papel fundamental nesse processo.
Reciclagem

A reciclagem é o processo de reaproveitamento de materiais descartados. Seu objetivo é reintroduzi-los na cadeia produtiva a fim de que ainda gerem valor e sejam reutilizados, reduzindo-se a produção de lixo, aumentando a preservação dos recursos naturais, gerando renda e melhorando a qualidade de vida das pessoas.
Sem sombra de dúvidas. Diante do perfil de desenvolvimento econômico e social que vivemos desde que nascemos, torna-se difícil imaginar um planeta sem lixo, e que todo o lixo do planeta será erradicado de um dia para o outro. No entanto, onde a maioria das pessoas está acostumada a ver “lixo”, se escondem bens econômicos e oportunidades de trabalho, geração de renda e novos produtos de alto valor agregado. Dessa forma, a reciclagem, tem seu papel fundamental na rota para uma economia mais circular.
Principais vantagens da reciclagem
A reciclagem reduz a extração de novos recursos do meio ambiente, reduzindo impactos causados à natureza, como as agressões aos solos, ar, água, animais, e inclusive a perda da biodiversidade, que é essencial para o funcionamento e equilíbrio dos ecossistemas. Além dessas atividades, confiram abaixo as principais vantagens do processo de reciclagem:
Economia no consumo de água e energia
A fabricação de produtos a partir de matérias-primas recicladas requer menor consumo de água e energia comparado com a fabricação de matérias-primas virgens.
Redução das emissões de carbono na atmosfera
A fabricação de matérias-primas exige o consumo de água, recursos e energia durante a produção, gerando emissões de carbono na atmosfera. Com a reciclagem, usa-se menos água, recursos e energia no processamento, gerando menos emissões de carbono. Além disso, ela mantém os resíduos potencialmente liberadores do gases de efeito estufa fora dos aterros sanitários, impedindo mudanças climáticas.
Redução de custos
A gestão de resíduos em um município não é barata. Envolve processos de coleta, deslocamento, equipes. Assim, reciclar os resíduos custa aproximadamente seis vezes mais barato que descartá-los nas lixeiras, e quanto mais reciclamos, mais dinheiro economizamos para melhoria dos processos.
Geração de empregos e renda
A indústria de reciclagem tem crescido rapidamente nas últimas décadas, e inúmeras indústrias nacionais e internacionais têm optado por materiais recicláveis em seus processos. Quando você opta por reciclar, empregos são criados desde a coleta dos resíduos a produção e remanufatura de novos produtos.
Desenvolve a consciência socioambiental
Na medida que impactos ambientais são reduzidos, empregos são gerados, e novos produtos são desenvolvidos por meio da reciclagem, transformamos a forma das empresas e pessoas verem, pensarem e agirem, abrindo caminhos para conscientização e responsabilidade socioambiental.